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quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Equipas do passado: Sertanense em 1983/84

As águas em que o Sertanense navegou na temporada de 1983/84 foram calmas. Com uma prova sem sobressaltos de maior, a equipa da Sertã ainda liderou o campeonato distrital mas acabou na oitava posição.
O plantel apresentava algumas novidades em relação à última época, todavia a estrutura da equipa mantinha-se inalterada, com as principais referências (Vítor Serrano, José Marques, Rui Vaz, Fernando Camilo, Mota ou Jorge Marques) a permanecerem no clube.
Um empate (2-2) nas Minas da Panasqueira, com golos de Zé Maria e Filipe Costa, abriu o Distrital, com o Sertanense a continuar em grande nos jogos seguintes – vitória em casa frente ao Belmonte (2-0) e fora no reduto do Vitória de Sernache (3-2).
A goleada (4-1) ao Paul, na quarta jornada, com Carlos Marcelino a assinar um hat-trick, colocou a formação sertaginense no primeiro lugar da classificação, posição que manteria até à sexta jornada.

Depois de dois empates (Atalaia e Desportivo de Castelo Branco), a primeira derrota chegou à passagem da sétima jornada (Cariense). A equipa rectificou na semana seguinte (vitória de 3-2 sobre o Teixosense), mas ‘borrou a pintura’ na deslocação ao Fundão (derrota por 1-4 diante da Desportiva do Fundão). Sobre este jogo, o «Jornal do Fundão», na sua edição de 13 de Janeiro de 1984, escreveu: “O Sertanense quis discutir o jogo em todo o terreno, procurando sempre que lhe era possível o golo, o que só valorizou o espectáculo”. Os destaques deste semanário, em termos individuais, foram para os jogadores Rui Vaz, Zé Maria e Monteiro.
Até ao final da primeira volta, duas vitórias (Covilhã-e-Benfica e Idanhense), um empate (Vales do Rio) e uma derrota (Escalos) fizeram a equipa subir até à quinta posição.
A segunda volta iniciou-se com uma derrota em casa (1-2) diante do Minas da Panasqueira, a que se seguiram cinco derrotas consecutivas (Belmonte, Sernache, Paul, Atalaia e Desportivo Castelo Branco).
Esta série de derrotas foi interrompida na 20.ª jornada, com uma vitória (2-0) frente ao Cariense.
Daqui até ao final da época, o Sertanense venceu todos os jogos em casa (A.D. Fundão, Escalos e Idanhense) e perdeu todas as partidas fora do seu terreno (Covilhã-e-Benfica e Vales do Rio).
As contas finais colocaram o conjunto sertaginense na oitava posição, mas com os mesmos pontos (26) do sexto classificado.



Foto: Foto Sarmento

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Equipas do passado: Sertanense em 1982/83

Começou bem, andou mal e acabou em grande. Nesta frase se resume o comportamento da equipa do Sertanense durante a temporada de 1982/83, no Campeonato Distrital de Castelo Branco.
Com uma equipa em tudo semelhante à do ano anterior, registando-se apenas a entrada de dois reforços e de alguns juniores, os objectivos para esta época passavam por melhorar a sexta posição do último campeonato.
“A estrutura da equipa estava montada e cimentada. Os jogadores conheciam-se bem e era tudo malta que já se sabia mexer no terreno de jogo”, recorda Vítor Serrano, o guarda-redes da formação sertaginense.
E a prova até começou bem, com um golo de Vítor Rodrigues a dar a vitória ao Sertanense no desafio contra o Escalos. Nas duas jornadas seguintes, dois empates (Paul e Atalaia) levaram a equipa até ao terceiro lugar.
O derby com o Vitória de Sernache chegou à quarta jornada e os homens da Sertã não foram felizes, tendo sido derrotados por 2-1. No entanto, o resultado deste jogo viria a ser anulado devido à utilização irregular de um jogador da formação vitoriana – foi atribuída a vitória (3-0) ao Sertanense.
Duas derrotas (Cariense e Minas da Panasqueira) nas duas etapas subsequentes fizeram ‘tremer’ os jogadores, que deram uma resposta cabal no jogo contra ao Idanhense, vencendo por 3-1, com Zé Maria a facturar dois golos e Mota a marcar o terceiro.
A base da equipa era formada por Vítor Serrano, Luís Lopes, Luís Marcelino, Jorge Marques, José Marques, Fernando Camilo, Rui Vaz, Mota, Zé Maria, Farinha e Filipe. Todavia, José Carlos, João Mendes e Carlos Marcelino eram também usados com bastante regularidade.
Depois da recepção ao Idanhense, mais três derrotas (Teixosense, Tortosendo-e-Benfica e Belmonte) e um empate (A.D. Fundão) atiraram com a formação para a 13.ª posição da classificação.
Farinha conduziu a equipa de volta às vitórias, com um hat-trick no jogo frente ao Cebolense (vitória por 3-0). A derrota que se seguiu no terreno do Desportivo de Castelo Branco (3-0) assinalou o fim da primeira volta e marcou um ponto de viragem na carreira sertaginense.
Uma série de oito jogos sem perder deu um novo alento aos jogadores e fez a equipa subir na tabela classificativa. Pelo meio ficaram goleadas de 4-0 ao Paul e Minas da Panasqueira (Farinha marcou os quatro golos da vitória neste jogo), vitórias no campo dos Escalos e em Caria e empates em terrenos difíceis como a Atalaia, Idanhense e Sernache (esta partida ficou marcada por cenas lamentáveis entre jogadores das duas equipas, que se agrediram mutuamente, o que levou à expulsão de quatro jogadores – dois de cada lado).
A primeira derrota após esta série sensacional chegou diante do clube que se viria a sagrar campeão distrital nesta temporada, o Tortosendo-e-Benfica. Mas foi a única, porque depois disso a Desportiva do Fundão, Belmonte e Desportivo de Castelo Branco foram derrotados, sem apelo nem agravo, pelo conjunto sertaginense, que apenas cedeu um empate até ao final do campeonato no sempre difícil Campo dos Fiéis, em Cebolais de Cima (3-3).
Contas feitas, o Sertanense terminou no quarto lugar do campeonato a um ponto do terceiro (Vitória de Sernache) e a sete do segundo (Belmonte). Farinha, com 12 golos, foi um dos melhores marcadores da prova.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Equipas do passado: Sertanense em 1981/82

Depois da aventura de Ângelo Bastos como treinador do Sertanense, o presidente Silvino Antunes decidiu ir buscar o seu sucessor a Castanheira de Pêra. O técnico forasteiro não chegou a aquecer o lugar, sendo dispensado ao fim do primeiro jogo, depois da contundente derrota no terreno do Barco (5-0) e por muitos defenderem que não era a pessoa mais indicada para o lugar.
Matiota foi o escolhido para o substituir. Este era o regresso de um dos homens responsáveis pela reintrodução do futebol no seio do Sertanense, no início da década de 1970.
A sua entrada foi um verdadeiro tónico para os jogadores que, após apreenderem a sua filosofia de jogo, iniciaram uma recuperação notável, com alguns resultados bem expressivos.

Se o campeonato não começou bem – duas vitórias ao fim de nove jogos e o 10.º lugar da classificação –, tudo mudou de figura à passagem da 10.ª jornada, quando o Sertanense recebeu e venceu (6-1) a formação da Atalaia. No jogo seguinte, nova vitória (2-1), frente à Desportiva do Fundão.
Depois de uma derrota amarga no Teixoso, com muitas críticas à arbitragem, a formação sertaginense goleou nas duas jornadas que se seguiram o Unhais da Serra (5-1) e o Barco (4-1), este último liderava a classificação na altura e sagrou-se mesmo campeão no final da prova.
O empate a zero na Idanha e a vitória (3-2) sobre o Desportivo de Castelo Branco catapultaram a equipa para o sexto lugar do campeonato, a sete pontos dos primeiros.
O bom futebol praticado era destacado por todos os sócios e adeptos do clube e até os jornais da região se curvavam perante a qualidade apresentada. “Muito bem orientada no terreno, bem distribuídos os seus homens, a equipa de Matiota tem marcado uma excelente presença, dentro de uma correcção perfeitamente aceitável, com alguns bons elementos, com entusiasmo pelo jogo e pela baliza contrária, características que não são muito vulgares em jogos dos distritais. O que se poderá chamar uma equipa bem arrumada e até afinada no modo de jogar”, escrevia o jornal «Reconquista», a propósito da formação do Sertanense.
A equipa ganhara o respeito dos seus adversários e os jogadores sabiam ler muito bem o jogo e detectar as fragilidades dos adversários. A experiência de alguns jogadores misturada com a juventude de outros garantia um grande equilíbrio ao conjunto.
Fruto de três vitórias consecutivas (Paul, Escalos e Minas da Panasqueira), o Sertanense chegou à terceira posição da prova, na 22.ª jornada. A grande distância para o primeiro classificado (10 pontos) não permitia que se sonhasse com mais altos voos, mas chegar aqui já havia sido uma grande conquista.

Todavia, a equipa não conseguiu manter-se no pódio até ao final, mercê de alguns resultados menos conseguidos nas últimas quatro jornadas e que a atiraram para o sexto lugar final, em igualdade pontual com o quinto classificado (Teixosense) e a apenas três pontos do segundo (Vitória de Sernache).
Nestas últimas jornadas, o destaque vai para o último jogo, disputado no campo do Unhais da Serra, e que foi um “verdadeiro espectáculo de bola”, conforme revelou um dos sócios presentes na partida. Três golos para cada lado e uma exibição de encher o olho foram os condimentos desta partida que fechou o campeonato.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Equipas do passado: Sertanense em 1980/81

A descida à 2.ª Divisão Distrital esteve iminente no final da época anterior, mas uma conjugação de factores garantiu ao Sertanense a presença na 1.ª Distrital nesta época de 1980/81. Contudo, os problemas começaram logo no início da temporada.
O cargo de treinador ficara vago e ninguém parecia disposto a pegar na equipa. Mas Ângelo Bastos, que foi presidente da Câmara da Sertã entre 1976 e 1979, resolveu aceitar o convite que lhe foi endereçado pela Direcção.
“Fui treinador do Sertanense porque ninguém queria pegar na equipa. E como tinha sido jogador e acompanhava o futebol com uma certa regularidade, resolvi aceitar o convite para orientar o clube, coadjuvado pelo Jorge Serrano”, recorda Ângelo Bastos.
O plantel para este ano não sofreu grandes alterações face à época passada. Vítor Serrano, Ezequiel, Artur, José Marques, Rui Vaz, Jorge Marques, Jorge Coelho, Farinha e Tó Marques foram alguns dos jogadores que se mantiveram no clube, o que garantia alguma estabilidade.
A época começou com um empate em casa (0-0) com a Desportiva do Fundão, seguindo-se uma derrota (3-1) no terreno do Vitória de Sernache. O Sertanense voltou a perder (0-1) o jogo seguinte, desta feita com o Alcains. Na quarta jornada, deslocação à Covilhã, para defrontar o Benfica local e um empate (2-2) ao fim dos noventa minutos.
Mais três empates (Ginásio do Paul, Águias do Moradal e Cebolense) e uma derrota (Idanhense) atiraram com o Sertanense para a 12.ª posição da classificação.
Só à passagem da nona jornada é que surgiu o primeiro triunfo: a vítima foi o Desportivo de Castelo Branco e por números esclarecedores (4-0).
O resultado moralizou a equipa de Ângelo Bastos, que nos quatro jogos seguintes registou uma vitória (4-2 sobre as Minas da Panasqueira) e três empates (Unhais da Serra, Teixosense e Tortosendo-e-Benfica), o que conduziu o Sertanense até ao nono lugar da tabela classificativa.
No início da segunda volta, a deslocação ao campo da Desportiva do Fundão resultou numa derrota com sabor a injustiça (2-3). Mas no jogo seguinte, tudo foi diferente e nada melhor do que um derby para mostrar o quanto valia o plantel.
Os inevitáveis Farinha (com dois golos) e Rui Vaz (um golo) fizeram os três golos com que o Sertanense levou de vencida o Vitória de Sernache, que não conseguiu melhor do que um golo, por intermédio de Luís Filipe. Na crónica do jogo publicada no jornal «A Comarca da Sertã», Raul Simões escreveu: “Maior acutilância por banda do Sernache, resposta sempre pronta do Sertanense, mormente conduzida pelo ‘quase coxo’ Rui Vaz, muito bem secundado quer por Coelho, quer por Ezequiel a meio-campo, já que Tó Marques descaia para o lado direito e Mota para o lado esquerdo, e ficando Farinha sempre lá à frente. Entretanto, toda a defesa mantinha-se coesa”.
O jogo seguinte foi uma verdadeira catástrofe para o Sertanense, que saiu de Alcains vergado ao peso de uma estrondosa goleada (6-0). Contudo, a equipa rectificou logo na jornada seguinte, ‘despachando’ o Covilhã-e-Benfica pelo mesmo resultado.
Ângelo Bastos tinha razão no que dizia: “Os meus jogadores eram indivíduos que, dentro de campo, davam sempre tudo o que tinham e o que não tinham”.
A goleada foi inspiradora e os bons resultados continuaram: dois empates fora e duas vitórias em casa coroaram a melhor fase da época e catapultaram o Sertanense para a oitava posição.
Uma derrota (1-3) em Castelo Branco não esmoreceu a equipa, que empatou (0-0) em casa no jogo seguinte diante do Unhais da Serra.

A deslocação às Minas da Panasqueira ficou marcada por um episódio curioso: “Um dos carros, que transportava quatro dos nossos jogadores, atrasou-se e tivemos de pedir ao árbitro para atrasar o início de jogo, que estava marcado para as 15 horas. O campo ficava situado no cimo de um planalto e às 14h30m, tínhamos toda a equipa do Sertanense a olhar planalto abaixo para a estrada que o serpenteava a tentar encontrar algum sinal do carro que transportava os nossos jogadores. Quando chegaram foi uma festa. Pena foi termos perdido o jogo”, sublinha Ângelo Bastos.
Uma derrota (0-1) em casa frente ao Teixosense e um empate (0-0) no reduto do Tortosendo-e-Benfica fecharam a participação do Sertanense neste campeonato distrital, onde além do nono lugar final, os homens da Sertã conseguiram ser a terceira equipa mais concretizadora da prova (41 golos).

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Equipas do passado: Sertanense em 1979/80


Os resultados desta época não deixaram saudades na massa associativa e nos adeptos do Sertanense. A irregularidade da equipa foi a tónica dominante ao longo das 26 jornadas que compunham a prova e a descida à 2.ª Divisão Distrital chegou mesmo a ser uma possibilidade nos últimos jogos do campeonato.
Depois da saída de Edmundo Silva do comando técnico da equipa, a Direcção liderada pelo Pe. Miguel Farinha optou por ir buscar o seu substituto a Tomar. Tratava-se de Mahmoud, um conhecido jogador do União daquela cidade.
“Ia e vinha quase todos os dias de Tomar para nos treinar”, recorda Jorge Marques, antigo jogador, que acrescenta: “Era um homem de trato fácil e que se entendia bem connosco”.
Mahmoud, que assumiu as funções de treinador-jogador, trouxe consigo Duí, que também já jogara no União de Tomar. Contudo, o plantel sofrera poucas alterações relativamente à última época.
Vítor Serrano, Jorge Marques, José Marques, Rui Vaz, Farinha, Jorge Coelho, Tó Marques, Ezequiel ou Vítor Cavalheiro continuavam no clube e ajudavam a fortalecer a mística que a equipa já granjeava junto de sócios e adeptos. O facto de quase todos eles serem naturais da Sertã ou dos arredores contribuía também para uma maior identificação com os jogadores.
Além do mais, todos esperavam que a equipa pudesse fazer melhor do que na época passada, quando falhou a subida à 3.ª Divisão, na última jornada, apesar de ter terminado em igualdade pontual com o primeiro classificado.

O início do campeonato foi o sinal de que esta época não seria tão positiva quanto a última. Duas derrotas (Atalaia e Covilhã-e-Benfica) e um empate (Cebolense) foi o melhor que o Sertanense conseguiu nas três primeiras jornadas. Mas a equipa rectificou nos quatro jogos seguintes, vencendo as duas partidas que fez fora de casa (Belmonte e Vales do Rio) e empatando as duas que realizou no seu reduto (Unhais da Serra e Tortosendo-e-Benfica).
À passagem da sétima jornada, o conjunto da Sertã ocupava a oitava posição da classificação, com menos cinco pontos que o líder da prova, o Barco.
Até ao final da primeira volta, as vitórias e derrotas equivaleram-se (três para cada lado), com o registo das vitórias terem sido alcançadas em casa e as derrotas fora do Campo da Abegoaria. Entre as vitórias alcançadas, há uma que se destaca, frente ao Barco, em virtude de a equipa do concelho do Fundão ocupar o topo da classificação e pelo resultado expressivo (3-1) alcançado. Depois deste encontro, a equipa sertaginense achava-se no sexto lugar.
Mas na segunda volta tudo foi diferente. Ao longo de 13 jornadas, o Sertanense só conseguiu vencer uma vez (goleada ao Belmonte por 5-0), tendo sido derrotado em oito partidas. Os restantes quatro jogos deram igual número de empates.
Jorge Marques lembra que a segunda volta foi “mais complicada. Tivemos algumas lesões e a sorte não quis nada connosco em alguns jogos”.
Os resultados menos bons da segunda volta fizeram mesmo perigar a permanência na 1.ª Divisão, uma vez que a diferença para o primeiro clube abaixo da chamada ‘linha-de-água’ era de apenas um ponto no final do campeonato.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Equipas do passado: Sertanense em 1978/79


Ainda hoje há quem diga que esta equipa foi uma das melhores da história do Sertanense. Para isso muito terá contribuído o fantástico campeonato realizado nesta temporada, com a subida à 3.ª Divisão a ficar muito próxima.
Não se pode dizer que o plantel tenha sofrido muitas alterações face à época de 1977/78, todavia os jogadores que entraram, caso de Farinha, foram importantes mais-valias que vieram tornar a formação, orientada por Edmundo Silva, mais forte.
Vítor Serrano, Né, Rui Dinis, Franco, José Marques, V. Serra, Jorge Coelho, Jorge Marques, Tó Marques, Farinha e Rui Vaz eram os jogadores que formavam o ‘onze’ mais utilizado ao longo da prova. Mas as alternativas no banco eram muitas e de qualidade, nomeadamente Ezequiel, Vítor Cavalheiro ou Luís Filipe.
O sorteio ditou que na primeira jornada o Sertanense recebesse em casa a Póvoa de Rio de Moinhos, uma equipa que não trazia boas recordações das épocas anteriores. As dificuldades esperadas acabaram por confirmar-se, mas o conjunto sertaginense não deixou fugir a vitória (2-1).
A deslocação às Minas da Panasqueira não devolveu boas notícias (derrota por 1-0), mas a recepção à Desportiva do Fundão confirmou que tínhamos equipa. A vitória final (2-0) foi elogiada pela maioria da imprensa escrita do distrito, merecendo uma referência especial no «Jornal do Fundão».
O bom momento de forma confirmou-se no sempre difícil terreno do Atalaia, onde a equipa saiu vencedora por 2-1. O empate em casa diante do Cebolense, na jornada seguinte, serviu de alerta aos jogadores, até porque nada estava ainda ganho.
O alerta parece ter resultado, isto porque o adversário seguinte, a AD Idanhense, teve que se ver com todo o poderio futebolístico desta formação, encaixando três golos sem resposta.
O empate (0-0) no terreno do União Idanhense foi arrancado a ferros, mas a vitória (1-0) sobre o mais directo opositor neste campeonato, o Barco, foi a demonstração de que a equipa estava no caminho certo.
A vitória (3-0) no Campo Nun’Álvares, diante do Vitória de Sernache, deu ainda mais motivação, a qual seria reforçada pelo triunfo (2-1) na Póvoa de Rio de Moinhos e pela goleada (7-0) frente às Minas da Panasqueira, com Farinha e Tó Marques a assinarem três golos cada.
Esta vitória e o empate na jornada seguinte (2-2 com a Desportiva do Fundão) permitiram ao Sertanense subir à primeira posição em igualdade pontual com o Barco.
O primeiro lugar foi sol de pouca dura, devido à derrota no campo do Cebolense, que relegou o conjunto da Sertã para a segunda posição.
Quatro vitórias nas últimas quatro jornadas (AD Idanhense, União Idanhense, Barco e Sernache) garantiram a primeira posição no final da primeira fase e asseguraram a passagem à fase-final do Distrital de Castelo Branco, onde se iria decidir o título de campeão.
Quatro equipas (Sertanense, Teixosense, Barco e Unhais da Serra) partiram à conquista da subida à Terceira Divisão Nacional.
A primeira volta da prova não correu da melhor maneira ao Sertanense, que registou duas derrotas e um empate em três jogos. O nervosismo traiu os jogadores na maioria destes jogos, apesar das boas exibições realizadas.
Todavia, na segunda volta tudo foi diferente. Mais confiante e apresentando o futebol que lhe granjeou muitos elogios durante a fase inicial do campeonato, o Sertanense depois de empatar (1-1) no Teixoso, venceu o Unhais da Serra e o Barco.
No final da prova, as quatro equipas surgiam em igualdade pontual no primeiro lugar da prova, contudo o Teixosense apresentou o melhor ‘goal-average’ entre os oponentes.
Apesar de não ter subido de divisão, o Sertanense realizou uma prova fantástica, praticando um futebol “vistoso” e de “qualidade”, segundo os jornais do distrito.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Equipas do passado: Sertanense em 1977/78

As boas indicações deixadas no último campeonato criaram alguma expectativa entre os sócios e adeptos do Sertanense para a nova época. A esperança de uma classificação nos quatro primeiros estava nas cogitações de todos.
A tarefa que esperava os homens da Sertã não era fácil, sobretudo devido ao grande número de equipas inscritas – o campeonato deste ano foi disputado por 17 equipas, o que obrigou todas as formações a fazer 34 jogos, algo inédito na prova.
A grande maioria dos jogadores manteve o vínculo à equipa e o antigo jogador Amâncio assegurava o comando técnico do Sertanense.
O União Idanhense foi o primeiro adversário da temporada. O jogo no Campo da Abegoaria não correu de feição à equipa visitada, que não conseguiu melhor do que um empate (1-1).
Depois de uma jornada de folga, a primeira vitória chegou diante do Peso (2-0). A deslocação ao terreno do Unhais da Serra não foi feliz (derrota por 2-0) e a partida seguinte serviu para amenizar os estragos (empate a zero diante do Cariense).
A goleada no Barco (5-1) e o empate (2-2) seguinte em casa frente ao Cebolense atiraram a equipa para o penúltimo lugar da classificação, de onde acabaria por sair após a vitória com o Águias do Dominguiso.

O regressado Matiota já estava no comando técnico da equipa, aquando da derrota em casa com o Vitória de Sernache, o que criaria alguma celeuma no interior do grupo, que rapidamente desapareceu na jornada seguinte, devido à vitória (3-1) no terreno do Paul.
Até ao final da primeira volta, o Sertanense não logrou vencer mais nenhum jogo (dois empates e três derrotas), um cenário que se repetiria até à 28.ª jornada, quando o conjunto da Sertã triunfou em Cernache do Bonjardim, diante da turma local.
Já com Edmundo Silva no lugar de treinador – em substituição de Matiota – a equipa arrancou para um final de campeonato muito positivo, alcançando três vitórias e dois empates em seis jogos.
Neste período, o futebol da equipa melhorou bastante, conforme revelam alguns jornais do distrito. Isso mesmo ficou comprovado no embate da penúltima jornada frente ao primeiro classificado e que acabaria por se sagrar campeão distrital, o Alcains. Num jogo muito emocionante e onde o equilíbrio foi a nota dominante, o Sertanense realizou a melhor exibição da época e levou a melhor sobre o seu opositor, vencendo por 3-2. Apesar deste bom desempenho no final da prova, o Sertanense não foi além de um 13.º lugar na classificação final, arrecadando 25 pontos.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Equipas do passado: Sertanense em 1976/77

A experiência adquirida na época anterior foi providencial para o magnífico campeonato que a equipa do Sertanense realizou nesta temporada. Sob a orientação de António da Silva, que acumulava a função com a de presidente do clube, a formação sertaginense mostrou muita qualidade e, acima de tudo, uma garra e um querer que começaram a colocar os adversários em sentido, sempre que o Sertanense era o opositor.
O plantel não apresentava muitas mexidas, relativamente à última época, o que acabou por ser positivo, uma vez que os jogadores já estavam bastante entrosados e o fio de jogo bem definido. O ‘onze inicial’ era normalmente composto por Vítor Serrano, Né, Franco, Dionísio, José Marques, Ezequiel, Jorge Coelho, Vítor Cavalheiro, Fernando Camilo, Rui Vaz e Xana. Jorge Marques, Farinha, Pires e António Gaspar eram também habituais titulares.
A estreia no campeonato aconteceu frente ao Vitória de Sernache, no Campo de Jogos Nun’Álvares, na vila de Cernache. Apesar da longa história de confrontos entre equipas das duas localidades, esta era a primeira vez que duas formações da Sertã e de Cernache do Bonjardim se defrontavam numa competição oficial.
Num jogo muito disputado e onde a rivalidade imperava, o Sertanense venceu pela margem mínima (0-1), um resultado que lhe deu bastante ânimo para as jornadas seguintes.
E nessas jornadas, a equipa treinada por António da Silva fez um verdadeiro brilharete, conseguindo sete vitórias e um empate em oito jogos. Barco, Alcainense, Belmonte, Unhais da Serra ou Desportivo de Castelo Branco não tiveram argumentos para contrariar a superioridade do conjunto da Sertã, que à nona jornada era líder isolado da prova, com mais seis pontos do que o segundo classificado, o Desportivo de Castelo Branco.
Tudo corria bem ao Sertanense. Nas crónicas dos jogos publicadas no jornal «A Comarca da Sertã» já faltavam adjectivos para classificar este início de campeonato e a forma como os futebolistas jogavam. Por exemplo, as exibições do guarda-redes Vítor Serrano deixavam a maioria dos adeptos boquiabertos. No jogo frente ao Alcainense, o cronista daquele semanário, Raul Américo, escreveu: “Simplesmente impressionante a maneira como Serrano jogou, como defendeu, como cortava, como socava, como voava, enfim, como tudo fazia para que as suas redes não fossem violadas”. Talvez por isso, não fosse de estranhar que o guardião sofresse apenas dois golos nos primeiros nove jogos.
Mas os elogios estendiam-se também aos outros jogadores da equipa. Dionísio, além de capitão, era um dos esteios da defesa, fazendo-se valer da sua experiência no duelo com os adversários. Franco era outro dos jogadores em evidência: “De admirar neste jogador o denodo com que se bate. Não sendo natural da Sertã (embora aqui exerça a sua profissão) dá um verdadeiro exemplo de amor à camisola que veste”, escreveu o cronista Raul Américo, depois do jogo frente ao Desportivo de Castelo Branco.
No meio-campo, o tecnicista Jorge Coelho pautava o jogo, sendo auxiliado por Vítor Cavalheiro e pelo irrequieto Fernando Camilo, um dos mais criativos da equipa.
O terror das balizas contrárias era o avançado Rui Vaz, que em três jogos consecutivos (Alcainense, Idanhense e Cebolense) facturou seis golos.

No entanto, a sorte do Sertanense começou a mudar a partir da décima jornada. A deslocação ao Teixoso, para defrontar a turma local, adivinhava-se complicada e assim sucedeu. O jogo foi tudo, menos normal. Desde logo, a equipa de arbitragem designada para apitar a partida não compareceu, esquivando-se a apresentar qualquer motivo para o sucedido. Os árbitros foram escolhidos entre os presentes. Logo que o jogo se iniciou, a equipa da Sertã foi confrontada com um ambiente verdadeiramente intimidatório e com várias agressões a seus jogadores, que o árbitro não sancionou. A história é contada pelo jornal «A Comarca da Sertã» de 25 de Março de 1977, onde são relatadas agressões aos jogadores Vítor Cavalheiro, José Marques e Franco. O Teixosense acabou por vencer (2-1) a partida, a qual viria a ser protestada pelo Sertanense junto da Associação de Futebol de Castelo Branco. O protesto foi aceite e o jogo foi mandado repetir: o Teixosense voltou a triunfar (3-2).
Este jogo marcou uma reviravolta na carreira da equipa, que no desafio seguinte não conseguiu evitar a derrota em casa (0-1) com a Póvoa de Rio de Moinhos.
Apesar da vitória na partida seguinte (2-0 ao Vitória de Sernache), o empate (1-1) com o Barco atirou o conjunto sertaginense para a segunda posição da tabela classificativa, por troca com o Desportivo de Castelo Branco.
Um empate na Idanha e três derrotas consecutivas (Cebolense, Belmonte, Unhais da Serra) conduziram a equipa ao quarto lugar. A vitória frente ao Dominguiso deu algum ânimo, mas a goleada (6-0) infligida pelo Desportivo de Castelo Branco foi a machadada final numa formação que tão boa conta tinha dado de si. No final do campeonato, o Sertanense ficou-se pelo quinto posto, em igualdade pontual (24 pontos), com o quarto, a Póvoa de Rio de Moinhos.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Equipas do passado: Sertanense em 1975/76

O regresso do Sertanense ao Campeonato Distrital da Associação de Futebol de Castelo Branco, depois de duas épocas de interregno, não foi feliz, sobretudo pela polémica decisão da atribuição de quatro derrotas ao clube, pela inscrição irregular do jogador Franco.
A equipa, orientada uma vez mais por Matiota, alinhou com vários jogadores que na temporada passada haviam representado a formação de juniores, nomeadamente Jorge Coelho, Conceição, Rui Vaz, Folgado e Ezequiel. A estes juntavam-se alguns elementos que alinharam na última equipa de seniores do Sertanense, na época de 72/73, como Vítor Serrano, Dionísio, Fernando Camilo, Sousa ou Vítor Cavalheiro.
Depois de uma derrota (3-1) em Belmonte, na jornada inaugural, a equipa registou duas vitórias consecutivas nas recepções ao Unhais da Serra e Minas da Panasqueira, o que a catapultou para os lugares cimeiros da classificação.
O empate (0-0) na quarta jornada no terreno do Benfica e Castelo Branco foi o corolário do excelente arranque de época. As potencialidades do conjunto sertaginense eram evidentes e muitos sócios e adeptos acreditavam que os lugares cimeiros da classificação podiam ser uma realidade.
O entusiasmo, e algum excesso de confiança, estiveram na origem do empate (1-1) da jornada seguinte frente ao Idanhense. Segundo os jornais da época, a turma da Sertã entrou desconcentrada no jogo e permitiu algumas facilidades a um adversário de qualidade bastante inferior. A deslocação ao campo do Cebolense foi para esquecer, devido à goleada (4-0) infligida pela equipa de Cebolais de Cima.
A partida com o Alcainense serviu de redenção: depois de estar a perder por 2-0, o Sertanense deu a volta ao jogo e colocou-se a vencer por 3-2. O Alcainense não baixou os braços e empatou, mas a formação da Sertã colocou-se novamente em vantagem. Já no final e quando poucos esperariam, os visitantes empataram e estabeleceram o resultado final em 4-4. Sousa apontou dois golos neste jogo, ao passo que Rui Vaz e Ezequiel apontaram os restantes.
Na viagem ao terreno do último classificado, o Serviços Municipalizados da Covilhã, o Sertanense não conseguiu melhor do que um empate (1-1). A última jornada da primeira volta trouxe a primeira derrota em casa (0-3 frente ao Desportivo de Castelo Branco).
Os três jogos seguintes resultaram em três derrotas, o que atirou a equipa para a segunda metade da tabela classificativa e levou à substituição do treinador – Matiota saiu e o seu lugar foi ocupado, até ao final da época, por António da Silva, que ocupava a presidência do clube nesta altura.
O Sertanense alcançou de seguida um excelente empate (0-0) em casa, diante do primeiro classificado (Benfica e Castelo Branco), mas a partir daí a formação não mais se encontrou, perdendo todos os jogos até ao final do campeonato. Ou seja, em toda a segunda volta o Sertanense somou apenas um ponto.
Além da evidente baixa de forma de alguns dos jogadores mais influentes da equipa, um outro motivo, bem mais grave, contribuiu para a desmotivação da equipa nesta segunda volta. Quando o campeonato já se encontrava numa fase adiantada, começou a correr a notícia de que o jogador Franco, do Sertanense, estaria inscrito irregularmente. O defesa que jogara na época anterior no Lanheses (equipa do distrito de Viana do Castelo) não se encontrava em condições de representar o Sertanense nas primeiras quatro jornadas do campeonato. A notícia veio a confirmar-se e a Associação de Futebol de Castelo Branco puniu o Sertanense com quatro derrotas nos primeiros quatro jogos (dois dos quais havia ganho).

Este castigo atirou com a equipa para a última posição do campeonato, com apenas quatro pontos, resultantes dos quatro empates registados depois desse período.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Equipas do passado: Os juniores do Sertanense em 1974/75

Vários problemas financeiros levaram a que o Sertanense não se apresentasse, nas épocas de 1973/74 e 1974/75, no Campeonato Distrital de futebol de Castelo Branco. No entanto, numa clara aposta nos jovens do concelho, a Direcção do clube, presidida por Reinaldo Casimiro, resolveu inscrever uma equipa no Distrital de Juniores na temporada de 1974/75.
Formada unicamente por jovens da terra, alguns deles ainda pertencentes ao escalão de juvenis, o conjunto do Sertanense era treinado pelo ‘incansável’ Matiota que, uma vez mais, assumia o papel de dinamizador da modalidade junto dos mais novos.
Os treinos tiveram início no mês de Outubro, no Campo da Abegoaria. Nos primeiros dias, o número de jovens era reduzido, mas esse cenário rapidamente se inverteu e em Dezembro chegavam quase às duas dezenas.
Foi também neste mês de Dezembro, mais precisamente no dia 15, que o Sertanense fez a sua estreia no Distrital de Juniores. Depois de ter folgado na primeira jornada, a formação da Sertã deslocou-se ao Teixoso para defrontar o conjunto local.
O jogo terminou com a vitória do Teixosense (3-1), contudo, a equipa sertaginense deu boa conta de si e conseguiu mesmo chegar ao empate, depois de estar em desvantagem. O golo foi apontado por Camilo.
Os desafios seguintes, frente às equipas do Benfica e Castelo Branco e Sporting da Covilhã (vencedores crónicos dos campeonatos mais jovens do distrito), serviram para ganhar experiência, até porque pontuar nestes jogos adivinhava-se uma tarefa quase impossível.
A segunda volta do campeonato começou da melhor maneira para os jovens orientados por Matiota, que conseguiram o seu primeiro e único ponto na prova, mercê de um empate em casa frente ao Teixosense. A vitória não esteve longe, mas a pontaria dos avançados do Sertanense não estava nos melhores dias.
Até ao final do campeonato, mais duas derrotas, frente ao Sporting da Covilhã (que se sagraria campeão) e ao Benfica e Castelo Branco, respectivamente.
Jogadores: Conceição, Brito, Júlio Goulão, Ferreira, Folgado, Ezequiel, Rui, Luís Marcelino, Tó Camilo, Robalo, Jorge, Hélder, Jorge Coelho, Né ou Sousa.

Foto de Sarmento Nunes, tirada por ocasião do jogo entre o Sertanense e o Sporting da Covilhã (as duas equipas surgem na imagem)

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Equipas do passado: Sertanense em 1972/73

O aumento do número de equipas no campeonato (de cinco para sete) acabou por não beneficiar o Sertanense, que repetiu a última posição do Distrital de Castelo Branco dos anos anteriores. A inexperiência da equipa voltou a ser decisiva no confronto directo com os adversários que, além disso, possuíam outras condições de captação de jogadores e encontravam-se mais próximos dos dois centros mais importantes do futebol do distrito – Castelo Branco e Covilhã. A interioridade e as grandes distâncias que era necessário percorrer nos jogos fora de casa (algumas delas superiores a 100 quilómetros) também não ajudavam.
A preparação para o campeonato até nem correu mal. Logo no mês de Setembro de 1972, o Sertanense venceu o Torneio do Vales de Cardigos, após derrotar na final a formação da casa por conclusivos 4-0. Nos lugares seguintes ficaram Proença-a-Nova e Cardigos.
Mais alguns jogos ajudaram a apurar a forma do conjunto treinado por Matiota. No entanto, alguns problemas na organização do Distrital de Castelo Branco levaram a que a prova só começasse a ser disputada em Março de 1973.
Na primeira jornada, o Sertanense deslocou-se ao terreno do Benfica de Castelo Branco e não conseguiu melhor do que uma derrota (3-0), o mesmo sucedendo na jornada seguinte na recepção ao Cebolense (derrota por 2-0).
A terceira jornada não trouxe melhorias e na partida efectuada em Belmonte, o conjunto sertaginense saiu vergado sob o peso de nova derrota (5-0).
O primeiro ponto chegou à quarta jornada, mercê de um empate em casa frente ao Teixosense. Segundo a crónica do jornal A Comarca da Sertã, “o empate verificado no fim do jogo castiga unicamente o Sertanense, que devido à inoperância dos seus avançados não conseguiu traduzir em golos as oportunidades criadas”.
A inoperância dos avançados começava a ser evidente, uma vez que ao cabo de quatro jornadas, ainda não havia sido apontado qualquer golo. Isso não se alterou na ronda seguinte, quando o Sertanense voltou a sair derrotado (5-0) no jogo frente ao Covilhã-e-Benfica.
Foi preciso esperar até à sexta jornada para ver o primeiro golo da equipa. Apontado por Jorge Serrano, o golo foi ainda assim insuficiente para evitar a vitória das Minas da Panasqueira (3-1), no jogo realizado no Campo da Abegoaria.
A segunda volta do campeonato trouxe algumas melhorias, sendo que na recepção ao Benfica de Castelo Branco, a equipa vendeu bem cara a derrota (2-1).
O jovem Vítor Serrano – que fazia a sua primeira época na baliza –, Dionísio, Joca Barreto, António Pires ou Hilário afirmavam-se como esteios da equipa, onde outros jovens como Jorge Coelho procuravam encontrar o seu lugar.
A deslocação ao terreno do Cebolense não trouxe boas recordações, em virtude da goleada (6-0) infligida pelos homens da casa aos comandados de Matiota.
No entanto, esse jogo serviu para que a equipa acordasse e logo na jornada seguinte, o Sertanense conseguia a sua primeira e única vitória da época. Foi no dia 27 de Maio de 1973, na recepção ao Belmonte, que a formação da Sertã, na sequência de um golo de grande penalidade, conseguiu alcançar o primeiro triunfo da temporada.
Com esta vitória, a moral subiu e o jogo seguinte, no Teixoso, foi encarado com muito optimismo. O próprio Matiota recorda: “A equipa estava a jogar bem e os jogadores começavam a ganhar alguns automatismo dentro do campo”. No entanto, alguns erros defensivos e os falhanços dos avançados na hora decisiva levaram a que a derrota voltasse a surgir no horizonte.
Ainda assim, a grande exibição da época estava guardada para o jogo seguinte, na recepção ao Covilhã-e-Benfica, uma equipa que precisava de pontuar para não perder o primeiro lugar que ocupava na classificação.
Tacticamente irrepreensível e com uma excelente atitude de jogo, o Sertanense travou a formação encarnada com um empate (2-2), respondendo sempre às investidas da equipa contrária, que não estava à espera de tantas dificuldades. A fechar o campeonato, nova derrota (4-1), na deslocação às Minas da Panasqueira.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Equipas do passado: Sertanense em 1971/72


Com uma equipa muito similar à da época de 1970/71, o Sertanense «atacou» o Distrital de Castelo Branco com toda a força e empenho. Todavia, isso não foi suficiente para que a formação orientada por Matiota evitasse o último lugar da classificação, somando uma vitória e um empate.
A temporada teve início com um pouco usual Torneio Início de Seniores, onde alinharam cinco formações. O Sertanense não efectuou uma prova brilhante, conseguindo apenas uma vitória (5-0 frente à equipa secundária do Desportivo de Castelo Branco) e dois empates (com a equipa de reservas do Sporting da Covilhã e com a formação principal do Desportivo de Castelo Branco).
O arranque a sério estava marcado para Belmonte, onde a equipa realizou o seu primeiro jogo do Distrital de Castelo Branco. Apesar de ter efectuado uma boa primeira parte, o Sertanense saiu vergado, do campo da Casa do Povo de Belmonte, sob o peso de uma goleada (6-2).
Na jornada seguinte, nova deslocação, mas desta feita a Castelo Branco para defrontar o Benfica local. “O jogo começou com uma boa entrada do Sertanense, que logo aos 20 minutos se colocou em vantagem, através de um golo de penalty de Matiota. Antes do intervalo, o Benfica de Castelo Branco conseguiu empatar e na segunda parte a sua mais-valia veio ao de cima”, podia ler-se na crónica da partida, publicada no jornal A Comarca da Sertã, que assim fazia eco da derrota (4-1) averbada neste encontro pela turma da Sertã.

O primeiro jogo em casa trouxe o primeiro ponto. O Teixosense foi o adversário e o empate final (2-2) foi um resultado que, segundo a imprensa da época, se ajustou perfeitamente ao que se tinha passado em campo. Os golos da equipa da casa foram apontados por Ramos e Álvaro Monteiro.
O próximo adversário (Desportivo de Castelo Branco) não era pêra doce. Isso mesmo ficou provado em campo, com a derrota por quatro golos sem resposta.
A sétima jornada do campeonato [o Sertanense folgara na primeira e na sexta ronda] acabou por ser a mais feliz para os comandados de Matiota, que conheceram finalmente o sabor da vitória e logo frente ao Belmonte, que havia «despachado» a formação sertaginense com uma goleada na primeira volta. Desta vez, o resultado foi diferente e o Sertanense venceu (2-0), com golos de Armando Vaz e José Monteiro.

Inspirado pela vitória, a equipa da Sertã quase fazia um brilharete na jornada oito do campeonato, por ocasião da recepção ao Benfica de Castelo Branco. Com uma estratégia muito bem montada e com o guardião Carlos Sousa em tarde inspirada, o Sertanense vendeu cara a derrota (1-0) e podia mesmo ter empatado, não fosse as falhas de finalização dos seus atacantes. A visita ao Teixoso não trouxe boas recordações (derrota por 4-1), o mesmo sucedendo na última jornada da prova, frente ao Desportivo de Castelo Branco (derrota por 3-1).
Legenda-Foto: Matiota e Fernando Camilo foram dois dos jogadores que alinharam na equipa desta época

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Equipas do passado: Sertanense em 1970/71

Iniciamos hoje uma viagem às equipas de futebol oficial que marcaram o passado do Sertanense. Começamos por 1970/71, época em que o conjunto sertaginense se estreou nos campeonatos distritais da Associação de Futebol de Castelo Branco.
O primeiro jogo oficial aconteceu diante do Benfica e Castelo Branco, no dia 2 de Maio de 1971. A partida disputou-se no campo da Abegoria, na Sertã. Os albicastrenses dominaram o jogo, mas o Sertanense aguentou-se bem e só perto do final da primeira parte (39´) sofreu o primeiro golo, na sequência de uma grande penalidade.
Na segunda parte, o Benfica e Castelo Branco apontou mais dois golos mas os jogadores da Sertã não esmoreceram e, já perto do final, António Pires marcou o primeiro golo do Sertanense em competições oficiais.
Na segunda jornada, a formação orientada por Matiota folgou, ao passo que na terceira jornada, o Sertanense foi goleado (8-1) pelo Covilhã-e-Benfica. O golo de honra foi marcado por António João.
Nova derrota no fim-de-semana seguinte – o Teixosense veio à Sertã vencer por 5-1, num desafio em que Ângelo Horta apontou o único golo dos visitados.
A deslocação às Minas da Panasqueira não deixou saudades, fruto da derrota averbada (2-1). Ainda assim, na crónica do jogo, assinada por Raul Simões no jornal «A Comarca da Sertã», o comportamento dos jogadores foi elogiado: “O Sertanense fez neste jogo uma excelente exibição, conseguindo em algumas partes do jogo dominar as operações”.

No primeiro jogo da segunda volta, o clube averbou nova derrota (4-1) no terreno do Benfica e Castelo Branco. Todavia, e depois de uma jornada de folga, a vitória chegou finalmente e diante do Covilhã-e-Benfica, que na primeira volta tinha infligido uma derrota humilhante (ainda hoje é a pior da história do Sertanense). Quatro golos sem resposta (dois de Monteiro, um de Vítor Cavalheiro e outro de Farinha) selaram o resultado em 4-0.
Mas na ronda seguinte, este excelente resultado não encontrou sequência, em virtude da derrota averbada (6-3) na deslocação ao Teixoso.
No último jogo do campeonato, grande partida e brilhante resultado (2-2), na recepção ao Minas da Panasqueira, que se sagraria campeão distrital nesta temporada. A equipa da Sertã foi a primeira a marcar por intermédio de Matiota, mas a formação mineira reagiu e passou para a frente do marcador, com golos de Abreu e Zeca.
Não cedendo, a turma da casa foi para a frente e, quando já poucos acreditavam, Monteiro igualou a contenda aos 85 minutos de jogo.
O treinador Matiota fazia no final da época em entrevista ao jornal «A Comarca da Sertã», o balanço da participação no distrital: “Estou plenamente satisfeito com a equipa. Não fizemos um campeonato melhor, pois além de não termos uma equipa-base, faltou-nos uma preparação adequada antes do campeonato começar. Agora, já com jogos e mais rodada, a equipa está a dar melhor rendimento. Se continuarmos a trabalhar com vontade, podemos fazer bons resultados e dar prestígio à Sertã”.


Fontes: Sertanense – 75 anos de História, A Comarca da Sertã, Renovador, Reconquista e Jornal do Fundão