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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

O hino do Sertanense

Julgava-se perdido mas foi encontrado nos arquivos da Filarmónica União Sertaginense (FUS). Falamos do hino do Sertanense Futebol Clube, composto em 1934, pelo maestro da filarmónica António Teixeira, que mais tarde haveria de dirigir a tuna desta colectividade sertaginense.
De acordo com a obra «Sertanense: 75 Anos de História», o hino foi executado pela primeira vez durante a festa de inauguração deste clube, que decorreu no dia 11 de Março de 1934, na primeira sede, instalada na Rua Serpa Pinto, em frente ao Café Central.
Nos anos seguintes, e sempre que o Sertanense comemorava o seu aniversário, a FUS executava o hino.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Os derbies entre Sertanense e Vitória de Sernache


É conhecida de todos a sã rivalidade existente entre as vilas da Sertã e de Cernache do Bonjardim. O futebol não é excepção, e um jogo entre equipas destas duas localidades é sinónimo de emoção do primeiro ao último minuto.
A história destes desafios estende-se no tempo e é mesmo preciso recuar até ao dia 8 de Novembro de 1936 para encontrar registos de um encontro de futebol entre formações destas duas vilas. O desafio colocou frente-a-frente as formações da Casa do Povo de Cernache do Bonjardim e do «Onze Unidos», da Sertã. A vitória (3-0) pertenceu ao conjunto de Cernache do Bonjardim.
Todavia, a primeira partida oficial sé aconteceu em 1976, colocando frente-a-frente Vitória de Sernache e Sertanense. O jogo, a contar para o Campeonato Distrital de Castelo Branco (época 1976/77), terminou com a vitória da equipa da Sertã por 1-0.
No jogo da segunda volta desta prova, o Sertanense voltou a ganhar, mas desta vez por 2-0. Xana fez o primeiro golo, ao passo que o segundo resultou de um auto-golo de Necas.
Na época seguinte (1977/78), o Sernache foi vencer ao terreno do Sertanense (0-2) na primeira volta e na segunda, o Sertanense triunfou em Cernache do Bonjardim (0-1). “Expectativa, emoção e atirado para longe o fanatismo dos tempos antigos. Bom jogo de futebol, boa arbitragem e vitória por 1-0. O arreganho e entusiasmo dos vizinhos de Cernache não conseguiu eliminar a maior experiência do Sertanense”, podia ler-se, numa crónica publicada no jornal «A Comarca da Sertã», a propósito deste último jogo.
A grande campanha do Sertanense na temporada de 1978/79, falhando a subida à 3.ª Divisão Nacional, na última jornada, encontrou sequência nos dois jogos disputados frente ao Vitória de Sernache. O sorteio ditou que na primeira volta, a equipa da Sertã viajasse até Cernache para defrontar a turma local. Três golos sem resposta (dois de Farinha e um auto-golo de Pinto) deram ao Sertanense uma vitória por 0-3. No jogo da segunda volta, goleada para o Sertanense (4-1), com Farinha a apontar dois golos.
A senda de bons resultados para a equipa da Sertã continuou na época de 1979/80. Primeiro, foi a vitória em casa (2-1) e depois o empate em Cernache (1-1).
Só na temporada seguinte (1980/81), o Vitória de Sernache logrou chegar novamente à vitória e logo por 3-1. Mas na segunda volta, o Sertanense ‘vingou-se’ e venceu pelo mesmo resultado. Sobre este jogo, Raul Simões escreveu no jornal «A Comarca da Sertã»: “Maior acutilância por banda do Sernache, resposta sempre pronta do Sertanense, mormente conduzida pelo ‘quase coxo’ Rui Vaz, muito bem secundado quer por Coelho, quer por Ezequiel a meio-campo, já que Tó Marques descaia para o lado direito e Mota para o lado esquerdo, e ficando Farinha sempre lá à frente. Entretanto, toda a defesa mantinha-se coesa”.
Um empate (0-0) e uma vitória (2-0) para o Vitória foi o saldo da época de 1981/82. Na temporada seguinte (1982/83), o ‘fantasma’ da violência ensombrou este ‘derby’ concelhio. À partida para a quarta jornada da prova, Sertanense e Vitória estavam lado-a-lado nos primeiros lugares da classificação, o que criou alguma expectativa. No entanto, tudo se complicou com o desenrolar da partida, que acabaria por se saldar em quatro expulsões (duas para cada lado) e cenas lamentáveis dentro e fora de campo, com os jogadores a envolverem-se em agressões físicas. O jogo terminou com a vitória (2-1) do Sernache, um triunfo que lhe viria a ser retirado mais tarde, na sequência da equipa ter alinhado com um jogador em situação irregular.
Na segunda volta, os ânimos estiveram mais calmos e o empate (1-1) premiou o esforço das duas formações.
A temporada de 1983/84 foi semelhante à de 1977/78. O Sertanense começou por ir vencer a Cernache (2-3), mas depois baqueou em casa diante do mesmo adversário (derrota por 1-2).
O equilíbrio era a tónica dominante nestes ‘derbys’. A correlação de forças era semelhante e a emoção garantida do primeiro ao último minuto. Isso mesmo foi o que se verificou na temporada de 1984/85, nos dois jogos disputados e que renderam dez golos – dois empates (3-3 e 2-2) mostraram bem o equilíbrio entre os dois conjuntos.
A época seguinte foi do Vitória de Sernache – dois jogos e duas vitórias (1-0 e 3-0) –, que esteve na luta directa pela subida à 3.ª Divisão Nacional.
O Sertanense ‘vingou-se’ no ano seguinte com duas vitórias (4-0 e 1-0) e ficou também a um passo de garantir a subida aos nacionais de futebol.
Mas esse desiderato chegaria no ano seguinte para a formação da Sertã. A subida à 3.ª Divisão foi o prémio justo para um campeonato notável, com 20 vitórias em 26 jogos. Quanto aos ‘derbys’, domínio absoluto do Sertanense – duas vitórias (2-1 e 3-0).
A entrada do Sertanense nos campeonatos nacionais de futebol obrigou a uma paragem neste encontros anuais, que só voltariam a ser reatados aquando da subida do Vitória de Sernache à 3.ª Divisão, em 1996.
O primeiro encontro entre Sertanense e Vitória de Sernache num campeonato nacional de futebol aconteceu à sexta jornada, da época de 1996/97. O ‘cernachense’ Bruno Bastinho deu a vitória aos ‘homens da Sertã’ pela margem mínima. O Vitória corrigiu na segunda volta e venceu pelo mesmo resultado (1-0), não evitando contudo o regresso aos ‘Distritais’.
Não foi preciso esperar muito para voltarmos a assistir a um ‘derby’, até porque o Sernache voltaria aos nacionais na temporada seguinte. O equilíbrio voltou a imperar, com uma vitória para cada lado – o Sertanense venceu em casa por 2-1 e o Vitória fez o mesmo no seu reduto, mas por 1-0.
Devido à descida do Sertanense ao campeonato distrital no final desta temporada, só em 2000 é que foi possível voltar a assistir a um ‘derby’. O Vitória esteve melhor nos dois jogos e venceu por 3-0 e 2-1.
A época de 2001/02 foi de sucesso para o Sertanense, mercê da subida à 2.ª Divisão Nacional. E o Vitória foi o convidado de honra para a festa. Depois de um empate (1-1) na primeira volta, o último jogo do campeonato reservava um Sertanense - Vitória de Sernache. Os ‘homens da Sertã’ tinham de vencer o jogo para confirmarem a subida de divisão, ao passo que os de Cernache estavam livres de qualquer preocupação na tabela classificativa.
A partida foi de nervos para a formação da Sertã, que só começou a respirar de alívio quando Marco Simões apontou o golo que lhe daria a vitória no encontro. Depois, foi só gerir até ao fim e esperar pelos outros resultados. A festa consumou-se então e durou até de manhã.
Esta foi, curiosamente, a última vez que as duas equipas se defrontaram a nível oficial. Depois disso, apenas alguns jogos-treino quebraram a rotina.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

A escola que era a ‘menina-dos-olhos’ do Sertanense


A fundação da escola de música foi uma das principais conquistas do Sertanense, no campo cultural. Ao longo de cerca de 20 anos, muitos jovens passaram pela escola e aí tomaram contacto com o admirável mundo novo que é a música.
A escola foi criada em 1982, durante a direcção liderada por José Pires Gestosa, e as primeiras inscrições abriram no mês de Setembro. As aulas iniciaram-se no final do mês seguinte.
“A criação da escola de música foi uma verdadeira aventura. Escolhemos a sala junto à sala do bilhar, no rés-do-chão, para instalar toda a logística para a escola”, recorda José Pires Gestosa, no livro Sertanense: 75 Anos de História.
A primeira escolha para dirigir a escola foi o professor Gama, de Castelo Branco. “Ele não pôde aceitar o nosso convite porque já se tinha comprometido com outro projecto. No entanto, foi ele que nos orientou e auxiliou na montagem da escola, tendo sido também ele a sugerir-nos os professores para a escola”, lembra aquele antigo presidente. A professora Paula Ramos, do Conservatório Regional de Música de Castelo Branco, foi a escolhida para orientar as aulas. O sucesso da escola foi imediato, com cerca de 60 alunos inscritos em quatro classes de ensino.
A primeira apresentação ao público aconteceu no dia 19 de Dezembro, por altura da festa de Natal organizada pelo clube, na sua sede. De acordo com o jornal «A Comarca da Sertã», “a assistência presente saiu maravilhada com o espectáculo” que os executantes da escola de música proporcionaram.
Os meses seguintes justificaram esta aposta da Direcção. A adesão de novos alunos obrigou à entrada de uma nova professora (Helena Nunes), que, juntamente com Paula Ramos, desempenharam um “papel notável em prol do ensino da música nas camadas mais jovens da Sertã”.
Em 1988, a escola de música já somava cerca de 75 alunos nas suas várias secções (piano, flauta, órgão e educação musical).
Com o passar dos anos, a escola foi granjeado prestígio um pouco por todo o lado, tendo os seus alunos chegado a actuar em Lisboa e noutras localidades do país. Todavia, o dinamismo da escola perdeu-se em meados da década de 1990, até que a sua extinção foi decretada. Em 2008, a direcção liderada por Paulo Farinha reactivou esta escola.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

História: Os primeiros estatutos



Os primeiros estatutos do Sertanense Foot-Ball Club (designação original) foram elaborados entre os finais de 1933 e inícios de 1934. A base para o documento (inspiração talvez seja a palavra mais correcta) foram os estatutos do Sporting Clube de Tomar.
Este facto remete-nos para uma história muito curiosa: Depois de formulado o pedido ao clube tomarense para que os seus estatutos fossem emprestados ao Sertanense, colocou-se um problema: como ir até Tomar recolher o documento? Na altura, os carros eram um bem escasso e as distâncias bem maiores do que as de hoje.
A solução chegou pela mão (e pelas pernas!!!) de um dos sócios fundadores do clube, Mário Matias, que se deslocou a Tomar, na sua bicicleta, para trazer o referido documento.
Os estatutos do Sertanense, promulgados no dia 17 de Fevereiro de 1934, pelo governador Civil de Castelo Branco, Carlos Alberto Godinho, eram constituídos por dez capítulos e 56 artigos, com os seus números e parágrafos escritos em dez folhas de papel selado da taxa de dois escudos e cinquenta centavos.